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Circulo vicioso

Por: Machado de Assis

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
— «Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!»
Mas a estrela, fitando a lua, com ciume:
— «Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna á gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!»
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
— «Misera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!»
Mas o sol, inclinando a rutila capella:
— «Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?»
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30/05/2026
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