Os Semeadores
Por: Machado de Assis
Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,
O doce fruto e a flor,
Acaso esquecereis os ásperos e amargos
Tempos do semeador!
Rude era o chão; agreste e longo aquele dia;
Com tudo, esses heróis
Souberam resistir na afanosa porfia
Aos temporaes e aos sóis.
Poucos; mas a vontade os poucos multiplica,
E a fé, e as orações
Fizeram transformar a terra pobre em rica
E os centos em milhões
Nem somente o labor, mas o perigo, a fome,
O frio, a descalcez,
O morrer cada dia uma morte sem nome,
O morrê-la, talvez,
Entre barbaras mãos, como se fora crime,
Como se fora réu
Quem lhe ensinara aquela acção pura e sublime
De as levantar ao céu!
Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha!
Venceste-a; e podeis
Entre as dobras dormir da secular mortalha;
Vivereis, vivereis!
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O doce fruto e a flor,
Acaso esquecereis os ásperos e amargos
Tempos do semeador!
Rude era o chão; agreste e longo aquele dia;
Com tudo, esses heróis
Souberam resistir na afanosa porfia
Aos temporaes e aos sóis.
Poucos; mas a vontade os poucos multiplica,
E a fé, e as orações
Fizeram transformar a terra pobre em rica
E os centos em milhões
Nem somente o labor, mas o perigo, a fome,
O frio, a descalcez,
O morrer cada dia uma morte sem nome,
O morrê-la, talvez,
Entre barbaras mãos, como se fora crime,
Como se fora réu
Quem lhe ensinara aquela acção pura e sublime
De as levantar ao céu!
Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha!
Venceste-a; e podeis
Entre as dobras dormir da secular mortalha;
Vivereis, vivereis!