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Spinoza

Por: Machado de Assis

Gosto de ver-te, grave e solitário,
Sob o fumo de esqualida candeia,
Nas mãos a ferramenta de operário,
E na cabeça a coruscante ideia.
E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o pão diário
A tua mão a labutar grangeia
E achas na independência o teu salario.
Soem cá fora agitações e lutas,
Sibile o bafo asperrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas
Sóbrio, tranquilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no premio eterno.
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30/05/2026
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