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Lágrima de cera

Por: Machado de Assis

Passou; viu a porta aberta.
Entrou; queria rezar.
A vela ardia no altar.
A igreja estava deserta.
Ajoelhou-se defronte
Para fazer a oração;
Curvou a pálida fronte
E pôs os olhos no chão.
Vinha tremula e sentida.
Cometera um erro. A Cruz
É a ancora da vida,
A esperança, a força, a luz.
Que rezou? Não sei. Benzeu-se
Rapidamente. Ajustou
O véu de rendas. Ergueu-se
E á pia se encaminhou.
Da vela benta que ardera,
Como tranquilo fanal,
Umas lagrimas de cera
Caiam no castiçal.
Ela porém não vertia
Uma lagrima sequer.
Tinha a fé, — a chama a arder, —
Chorar é que não podia.
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30/05/2026
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