Portal da Poesia

🖋 Portal da Poesia 🖋

Online: 0

Entre o bater rasgado dos pendões

Por: Fernando Pessoa

Entre o bater rasgado dos pendões
E o cessar dos clarins na tarde alheia,
A derrota ficou : como uma cheia
Do m al cobriu os vagos batalhões.
Foi em vão que o Rei louco os seus varões
Trouxe ao prolixo prélio, sem idéia.
Água que m ão infiel verteu na areia —
Tudo m orreu, sem rastro e sem razões.
A noite cobre o cam po, que o Destino
Com a morte tornou abandonado.
Cessou, com cessar tudo, o desatino.
Só no luar que nasce os pendões rotos
’Strelam no absurdo cam po desolado
Uma derrota heráldica de ignotos.


68
79 visualizações
31/05/2025
Ver perfil do poeta Voltar